Pode manifestar-se através de sons e sílabas que não são finalizados e iniciados no tempo adequado, portanto a gaguez está ligada ao ritmo e ao tempo. É involuntária, ou seja, a criança não tem controlo total sobre sua fala, não sendo possível simplesmente optar por não gaguejar.
Os sinais abaixo são típicos da gaguez:
1) Repetição na quantidade e na qualidade, repetição de sílabas, palavras e até mesmo frases.
Ex. “sa-sa-sapato”, “te-te-telefone”.
A cama, cama….
2) Pausas. Intervalo colocado de forma inapropriada no decorrer de um discurso.
3) Prolongamentos. Alongamentos de sons que tenha duração inapropriada.
Ex. “f::amília”, “t::apete”.
4) Interjeições. Inserção no discurso de sons, como “ahhhh…..”, “hummmm….”, “Deixa ver”.
5) Bloqueio. Interrupção brusca de uma palavra que vem acompanhada de algum esforço da voz, ou até mesmo corporal.
Na tentativa de contornar este problema, a criança pode recorrer a diversos truques:
- Substituições de palavras, reformulações de frases e circunlocuções (rodeios).
- Uso excessivo de marcadores discursivos (“então”, “assim”,”ok”).
- Modificações da respiração (fazer inspirações profundas antes de falar ou falar até o fim do ar).
- Modificações do tom de voz.
Mas afinal, a gaguez tem cura ou não?
Os resultados, dependem sem duvida, da idade da criança ou da gravidade da gaguez. É claro, que quanto mais cedo se inicia o tratamento, mais eficaz será. Apesar de a gaguez ser um distúrbio de fluência, as consequências da gaguez reflectem-se para além da fala. A relação com os familiares, o convívio social, o desempenho escolar, o desempenho profissional e a saúde emocional podem ficar muito comprometidos devido à gaguez. Por isso, a gaguez é um problema sério que deve ser tratada por profissionais especializados (terapeutas da fala e psicólogos).
Se o seu filho gagueja há algum tempo e já se apercebeu, que ele sabe que gagueja, procure falar sobre o assunto com ele.
- Por mais difícil que seja ouvir seu filho gaguejar, procure não lhe fornecer dicas e truques, como por exemplo: “- Fala mais devagar”, “- calma…”, “- Pensa antes de falar”, “- Respira fundo”, “- Para e começa de novo”, “- Para de gaguejar”. A gaguez é involuntária. Portanto, a criança não tem controlo total sobre sua fala. A criança não gagueja porque quer ou para chamar a atenção.
- Procure não apressar a criança para falar, porque, desta forma, o seu filho começará a aprender o que se convencionou chamar de “pressão de tempo”. A “pressão de tempo” é uma sensação subjectiva de que se deve iniciar, continuar e terminar a fala rapidamente. Quanto mais rapidamente o seu filho achar que deve falar, mais irá gaguejar.
- Dê atenção quando seu filho demonstra que quer falar alguma coisa. Ouça, o que ele tem para dizer e comente o que ele falou (e não como falou). Mostrando que ele consegue captar sua atenção, que você ouve o que ele fala e que você se interessa pelas suas opiniões, o seu filho vai aprender a ser assertivo. É muito importante mostrar ao seu filho que ele consegue transmitir o quer através da fala.
- Procure não interromper e não finalizar as frases da criança, por mais difícil que seja ouvi-lo gaguejar. Interromper ou finalizar as frases vai transmitir à criança, que a sua forma de falar não é aceite, dentro da família, o que vai contribuir para aumentar o seu sofrimento. Além disso, a criança vai aprender que deve falar sem gaguejar se quiser ser ouvido, o que vai fazer com que ele tente controlar a fala, ele não vai conseguir, o que contribuirá para o aumento do seu sofrimento).
Não existem fórmulas mágicas no tratamento da gaguez. O tratamento envolve aceitação do problema, dedicação, tempo e persistência, não pode ser eliminada de um dia para o outro.
Continue a ler »